DTG Camboatá
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O que é FANDANGO:

Chamava-se Fandango um baile usado antigamente em quase todo o Estado, do qual fazia parte um conjunto de danças que tinham como característica, uma parte musical para se dançar (sapatear) durante a qual não se cantavam e outra para se cantar na qual não se sapateava, tudo isso ao som da viola. As danças pertencentes as este ciclo receberam diversos nomes tais como, Tirana, Anú, Xará, Cará, Xico, Ribada, Cerra-Baile, Galinha morta, Quero-mana, Serrana, Dandão, Sabão, Puxado, Feliz-meu-bem, Retorcida, Recortada, etc. Hoje a palavra Fandango é usada para designar toda e qualquer sorte de bailes ou divertimentos, pois as danças pertencentes ao ciclo do Fandango ddesaparecem junto com a viola, ao mesmo tempo em que aparecia no Rio Grande do Sul o acordeón. O fandango com baile, no movimento Tradicionalista tem o caráter de um baile de Gala, pois tanto o homen como a mulher só poderão adentrar ao salão devidamente pilchados.

CHIMARRÃO:

I- Não peças açúcar no mate O gaúcho aprende desde piazito por que o chimarrão se chama também mate amargo ou, mais intimamente, apenas amargo. Mas, se tu és dos que vêm de outros pagos, mesmo sabendo, poderás achar que é amargo demais e cometer o maior sacrilégio que alguém pode imaginar neste pedaço de Brasil: pedir açúcar. Pode-se pôr água, ervas exóticas, cana, frutas, feldspato, dólar etc., mas jamais açúcar. O gaúcho pode ter todos os defeitos do mundo mas não merece ouvir um pedido desses. Portanto, tchê, se o chimarrão te parece amargo demais, não hesites; pede uma Coca-Cola com canudinho. Tu vais te sentir bem melhor.

II- Não digas que o chimarrão é anti-higiênico Tu podes achar que é anti-higiênico pôr a boca onde todo mundo põe. Claro que é. Só que tu não tens o direito de proferir tamanha blasfêmia em se tratando de chimarrão. Repito: pede uma Coca-Cola com canudinho. O canudo é puro como água de regato (pode haver coliformes fecais e estafilococos dentro da garrafa, não nele).

III- Não digas que o mate está quente demais Se todos estão chimarreando sem reclamar da temperatura da água, ela é perfeitamente suportável por pessoas normais. Se tu não és uma pessoa normal, assume e não te fresqueies. Se, porém, te julgas perfeitamente igual às demais, fazes o seguinte: vai para o Paraguai. Tu vais adorar o chimarrão de lá.

IV- Não deixes um mate pela metade Apesar da grande semelhança que existe entre o chimarrão e o cachimbo da paz, há diferenças fundamentais. Com o cachimbo da paz cada um dá uma tragada e passa-o adiante. Já o chimarrão, não. Tu deves tomar toda a água servida, até ouvir o ronco da cuia vazia. A propósito, leia logo o mandamento seguinte.

V- Não te envergonhes do ronco no fim do mate Se, ao acabar o mate, sem querer fizeres a bomba "roncar", não te envergonhes. Está tudo bem, ninguém vai te julgar um mal-educado. Este negócio de chupar sem fazer barulho vale para Coca-Cola com canudinho, que tu podes até tomar com o dedinho levantado.

VI- Não mexas na bomba A bomba do chimarrão pode muito bem entupir, seja por culpa dela mesmo, da erva-mate ou de quem preparou o mate. Se isso acontecer, tens todo o direito de reclamar. Mas, por favor, não mexas na bomba. Fale com quem lhe ofereceu o mate ou com quem lhe passou a cuia. Mas não mexas na bomba, não mexas na bomba e, sobretudo, não mexas na bomba.

VII- Não alteres a ordem em que o mate é servido Roda de chimarrão funciona como cavalo leiteiro. A cuia passa de mão em mão sempre na mesma ordem. Para entrar na roda, qualquer hora serve, mas depois de entrar, espera sempre a tua vez e não queiras favorecer ninguém, mesmo que seja a mais prendada prenda do Estado.

VIII- Não "durmas" com a cuia na mão Tomar mate solito é um excelente meio de meditar sobre as coisas da vida. Tu mateias sem pressa, matutando ... E às vezes, te surpreendes até imaginando que a cuia não é cuia, mas o quente seio moreno daquela chinoca faceira que apareceu no baile do Gaudério ... Agora, tomar chimarrão numa roda é muito diferente. Aí o fundamental não é meditar e sim integrar-se à roda. Numa roda de chimarrão, tu falas, discutes, ris, xingas, enfim, tu participas de uma comunidade em confraternização. Só que esta tua participação não pode ser levada ao extremo de te fazer esquecer da cuia que está em tua mão. Fala quando quiseres, mas não te esqueças de tomar teu mate, que a moçada tá esperando.

IX- Não condenes o dono da casa por tomar o 1° mate Se tu julgas o dono da casa um grosso por preparar o chimarrão e toma ele próprio o primeiro, saibas que o grosso és tu. O pior mate é o primeiro e quem toma está te prestando um favor.

X- Não digas que chimarrão dá câncer na garganta Pode até dar. Mas não vai ser tu, que pela primeira vez pegas na cuia, que irás dizer, com ar de entendimento, que chimarrão é cancerígeno. Se aceitastes o mate que te ofereceram, toma e esquece o câncer. Se não der para esquecer, faze o seguinte: pede uma Coca-Cola com canudinho que ela ... etc., etc ...

A Erva Mate: (lenda indígena)

Era sempre assim: a tribo derrubava um pedaço de mata, plantava a mandioca e o milho, mas depois de quatro ou cinco anos a terra se exauria e a tribo precisava emigrar à terra além. Cansado de tais andanças, um velho índio um dia se recusou a seguir adiante e preferiu quedar-se na tapera. A mais jovem de suas filhas, a bela Jary, ficou entre dois corações: seguir adiante, com os moços de sua tribo, ou ficar na solidão, prestando arrimo ao ancião até que a morte o levasse para a paz do Ivy-Marae. Apesar dos rogos dos moços, terminou permanecendo junto ao pai. Essa atitude de amor mereceu ter recompensa. Um dia chegou ao rancho um pajé desconhecido e perguntou a Jary o que é que ela queria para se sentir feliz. A moça nada pediu. Mas o velho pediu: "Quero renovadas forças para poder seguir adiante e levar Jary ao encontro da tribo que lá se foi". Entregou-lhe o pajé uma planta muito verde, perfumada de bondade, e ensinou que ele plantasse, colhesse as folhas, secasse ao fogo, triturasse, botasse os pedacinhos num porongo, acrescentasse água quente ou fria e sorvesse esta infusão. "Terás nessa nova bebida uma companhia saudável mesmo nas horas tristonhas da mais cruel solidão". Dada a receita, partiu. Foi assim que nasceu e cresceu a caá-mini. Dela resultou a bebida caá-y que os brancos mais tarde adotaram com o nome de chimarrão. Sorvendo a verde seiva o ancião retemperou-se, ganhou força, e pôde empreender a longa viagem até o reencontro com os seus. Foram recebidos com a maior alegria. E a tribo toda adotou o costume de beber da verde erva, amarguentinha e gostosa, que dava força e coragem e confortava amizade mesmo nas horas tristonhas da mais total solidão.

A erva mate (Ilex paraguariensis St. Hill) , pertence à família Aquifoliaceae, sendo assim classificada pelo naturalista francês August de Saint Hillaire e, assim publicada em 1822, nas memórias do Museu de História Natural de Paris. Sabe-se também, por declaração do próprio naturalista, que suas coletas foram realizadas nas proximidades de Curitiba, "Prov. de Saint Paul". Isto se explica porque, nessa época, a cidade de Curitiba pertencia ao Estado de São Paulo, do qual foi desmembrada em 1853. Quanto ao nome científico Ilex paraguariensis , o naturalista assim a denominou por considerá-la exatamente igual à erva do Paraguai. Como havia colhido materiais de várias localidades, ocorreu uma mistura dos exemplares que redundaram na troca de etiquetas de identificação. topo Evolução Histórica O uso desta planta como bebida tônica e estimulante já era conhecido pelos aborígenes da América do Sul. Em túmulos pré-colombianos de Ancon, perto de Lima no Peru, foram encontradas folhas de erva mate ao lado de alimentos e objetos, demonstrando o seu uso pelos incas. Desde os primórdios da ocupação castelhana no Paraguai, indicado por Don Hernando Arios de Saavedra (governante de 1592-1594), observou-se a utilização da erva mate pelos indígenas. Os primeiros jesuítas estabelecidos no Paraguai (posteriormente nas missões), fundaram várias feitorias, nas quais o uso das folhas de erva mate já era difundido entre os índios guaranis, habitantes da região. Posteriormente observou-se que os indígenas brasileiros, que habitavam as margens do rio Paraná, utilizavam-se igualmente desta Aquifoliácea. Outras tribos não localizadas em regiões de ocorrência natural da essência, possuíam o hábito de consumi-la, obtendo-a através de permuta. Estas tribos localizadas no Peru, Chile e Bolívia, transportavam o produto por milhares de quilômetros. Orientados pelos jesuítas, instalados na Companhia de Jesus do Paraguai (denominação dada no século XVII aos territórios das províncias do Paraguai, Buenos Aires e Tucuman), os indígenas iniciaram as plantações de erva mate. Concomitante a implantação de ervais, os jesuítas aprofundaram-se no estudo do sistema vegetativo da planta, visto que as sementes caídas das erveiras não germinavam naturalmente. Os jesuítas definiram preceitos sobre época de colheita de sementes, do preparo e cultivo da erva mate. Por mais de século e meio (1610-1768), quando se deu a saída forçada da Companhia de Jesus, os jesuítas exploraram o comércio e a exportação do mate. O Padre Nicolós Durain observou que os índios tomavam o mate em água quente, não podendo passar sem ele no trabalho, muitas vezes, pois era o único sustento. As bandeiras paulistas que de 1628 a 1632 percorreram as regiões de Guaíra regressaram trazendo índios guaranis prisioneiros, e com eles o hábito da bebida. topo Descrição Botânica O porte da planta de erva mate faz lembrar a laranjeira. O caule é um tronco de cor acinzentada, geralmente com 20 a 25 centímetros de diâmetro, podendo chegar aos 50 centímetros. A altura é variável, dependendo da idade e do tipo de sítio. Podem atingir 15 metros de altura, mas geralmente, quando podadas, não passam de 7 metros. As folhas (parte mais importante do vegetal) são colocadas de forma alternada nos ramos, sendo do tipo sucoriáceo até coriáceo. Mostram-se estreitas na base e ligeiramente obtusas no vértice. Suas bordas são providas de pequenos dentes, visíveis principalmente da metade do limbo para a extremidade. O pecíolo é relativamente curto, medindo mais ou menos 15 milímetros de comprimento, e mostra-se um tanto retorcido. A folha inteira mede de oito a dez centímetros de comprimento por quatro ou cinco de largura. As flores são pequenas e dispostas na axila das folhas superiores. Em relação ao comportamento das flores, a erva mate é uma planta dióica (ou seja, tem 2 casas ou ambos os sexos). O fruto é uma baga-dupla globular muito pequena, medindo somente 6 a 8 milímetros. É de cor verde quando novo, passando a vermelho-arroxeado em sua maturidade. Nesta fase os frutinhos atraem os pássaros que deles se alimentam, expelindo depois as sementes envolvidas em dejeções, o que favorece a disseminação das plantas. O fruto bem maduro compõe-se de quatro sementes pequeninas, apresentando tegumento (casca) áspero e duro. topo Distribuição Geográfica A área de dispersão natural de Ilex paraguariensis (erva mate), abrange aproximadamente 540.000 km2 , compreendendo territórios do Brasil, Argentina e Paraguai, situados entre as latitudes de 21° e 30° sul e longitudes de 48°30’ e 56°10’ oeste, com altitudes variáveis entre 500 e 1000 m. A espécie pode ocorrer, não obstante, em pontos isolados, fora destes limites. Só no Brasil estão situados 450.000 Km2 do total. Ocorre também em regiões subtropicais e temperadas da América do Sul. No Brasil sua área de dispersão inclui a região centro-norte do Rio Grande do Sul, quase todo o Estado de Santa Catarina, centro-sul e sudoeste do Paraná, sul de Mato Grosso do Sul e manchas em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. topo Características Climáticas O clima predominante é o Cfb de Koeppen, ou seja, temperado sem estação seca, com temperaturas médias anuais de 15° a 17-21° C, com precipitações médias de 1.200 a 1.500 mm ao ano. A espécie, entretanto, também é encontrada no tipo climático Cfa (clima úmido, com variações de temperatura do mês mais quente superiores a 22°C), Cwa (temperado ou subtropical com período seco de inverno) e Aw (tropical com período seco no inverno). topo Solo A presença de erva mate é mais freqüente em solos com baixo teor de nutrientes trocáveis e alumínio, por isso é considerada tolerante a solos de baixa fertilidade natural. A textura dos solos na região de ocorrência da erva mate é muito variável, preferindo os solos que mostram equilíbrio na presença de areia, silte e argila. É mais freqüente em solos de texturas média entre 15 e 35% de argila e argilosa acima de 35%. Prefere solos medianamente profundos a profundos, não ocorrendo ou com ocorrência esparsa em solos rasos. Com relação à umidade do solo, a erva mate vegeta preferencialmente em solos com umidade mais permeável (características dos solos de regiões em que o clima atuante é o Cfb). topo Nomes populares A erva mate é conhecida popularmente também como mate, chá-mate, chá-do-paraguai, chá-dos-jesuítas, chá-das-missões, mate-do-paraguai, chá-argentino, chá-do-brasil, congonha, congonha-das-missões, congonheira, erva, mate-legítimo, mate-verdadeiro. Outras denominações populares de menor disseminação incluem: erva-de-são bartolomeu, orelha-de-burro, chá-do-paraná, congonha-de-mato-grosso, congonha-genuína, congonha-mansa, congonha-verdadeira, erva-senhorita. As denominações indígenas para a erva-mate são caá, caá-caati, caá-emi, caá-ete, caá-meriduvi e caá-ti. topo Fontes Valduga, Eunice. Caracterização química e anatômica da folha de Ilex paraguariensis Saint Hilaire e de algumas espécies utilizadas na adulteração do mate. - Dissertação apresentada ao Curso de Pós-Graduação em Tecnologia Química do Setor de Tecnologia da Universidade Federal do Paraná como requisito parcial para a obtenção do grau de Mestre. Curitiba, 1995. A Cultura da Erva Mate. Técnicas Florestais N° 01. Jorge Zbigniew Mazuchowski. Empresa Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMATER - Paraná). Curitiba, 1989. Manual da Erva Mate. Jorge Zbigniew Mazuchowski. Empresa Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMATER - Paraná). Curitiba, 1989.

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